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4 de out. de 2011

GREVE DA EDUCAÇÃO 2011

Entenda a Greve dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais.
O Sind-UTE reafirma o seu compromisso com a Educação e, sobretudo com a Carreira dos Trabalhadores em Educação.
No dia 16 de julho de 2008 publica-se o Piso Nacional da Educação (lei 11.738/08). Esta lei representa o primeiro passo para a valorização dos trabalhadores em Educação do País de forma homogênea.  Historicamente os trabalhadores em educação sofrem com as discrepâncias salariais em deferentes regiões do país, com a lei, estas  diferenças seriam minimizadas pois teriam um PISO mínimo para guiarem os Entes Federais, estaduais e Municipais no pagamento dos Trabalhadores em Educação. A lei previa que os Estados e Municípios poderiam pagar 2/3 até final de 2008. Até 31 de dezembro de 2009 poderia incorporar as vantagens pessoais, mas em 01 de janeiro de 2010 o Piso deveria ser pago integralmente como vencimento básico.
Desde a sua publicação começou a intensa luta pela implementação do Piso Nacional para os Educadores, mas os Governadores de  05 estados ( Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio grande dos Sul, Bahia e Ceará) entraram com a ADI 4.167 para questionar a inconstitucionalidade da lei, com a legação que “quebrariam os Estados e Municípios”. Desde a sua aprovação a CNTE e (Confederação Nacional dos Trabalhadores e Educação)e o Sind-UTE (Sindicato único dos Trabalhadores em Educação)  têm cobrado a sua aplicação em todo o país, mas os governantes se recusavam a pagar pois a ADI 4167 não havia sido julgada e  os desobrigava de pagar.
Foram duas greves em Minas Gerais: a de 2008 de 29 dias com algumas conquistas, mas não conseguimos fazer o enfrentamento com o governo e retornamos sem o PISO.  Durante o ano de 2009 fizemos um grande trabalho de conscientização dos Trabalhadores em Educação para que a partir de 01 de janeiro de 2010 , quando o Piso deveria ser pago integralmente sem incluir vantagens pessoais, caso o governo não pagasse, iríamos deflagrar a greve. Aconteceu. Negociamos, paralisamos algumas vezes, mas o governo continuava negando o cumprimento de uma Lei Federal. Iniciamos a greve, agora de 47 dias, a maior dos últimos dez anos, milhares de trabalhadores nas ruas. Fomos surpreendidos pela lei eleitoral que colocava nossa mobilização na ilegalidade, a greve foi julgada ilegal, mesmo assim permanecemos por mais 15 dias na ilegalidade e conseguimos negociar o pagamento imediato dos dias parados e suspensão da multa diária de 50.000 reais. Ganhamos a liminar contra demissão de companheiros, mas o governo de Minas aproveitando da fragilidade do movimento, lançou para aprovação da  Lei do Subsídio (lei 18.975 de 29 de junho de 2010). Por ter a maioria dos Deputados na base do Governo foi fácil aprovar a lei na íntegra como interessava o governo, prevendo um reajuste de 5% a partir de 01 de janeiro de 2011. Retornamos de cabeça erguida pelo enfrentamento direto com um Governo que não prioriza Educação, e continua na ilegalidade sem cumprir a Lei 11.738.
Chegou janeiro de 2011, anunciamos a terceira greve pela implementação do Piso Nacional Profissional da Educação: protocolamos a nossa pauta com o Governo, sentamos para negociar e nada, então,  marcamos a data do início da greve para 08 de junho de 2010. GREVE GERAL POR TEMPO INDETERMINADO, conforme vontade da Categoria que aprovou durante a Assembleia dia 31/05/2011 em Belo Horizonte.
Com determinação do retorno somente com a aprovação do Piso Nacional da Educação de R$ 1.597,87 por uma jornada de 24 horas. Fizemos o debate com os trabalhadores para que optassem a saída imediata do modelo de remuneração do Subsídio, pois seria abrir mão da nossa carreira. Iniciamos a Greve num cenário Nacional com 09 Estados em Greve lutando pela implementação do Piso.
O governo, como era de esperar, defendendo o subsídio a qualquer custo e com um plano de mídia milionário anuncia que o Sind-UTE MENTE, que o Subsídio era superior ao Piso e não existia salários abaixo de R$ 1.320,00. Mostramos nosso contracheque e a população pode ver que quem mentia era o Governo. Fizemos um intenso diálogo com a categoria desde janeiro e depois de mais de 70 de greve, tivemos a primeira vitória contra o governo: 153.000 servidores fizeram a opção pela Carreira do Vencimento Básico representando 70% dos que tiveram direito de retornar. Novamente o Governo diz-se preocupado com a Greve e o prejuízo causados aos alunos que fariam o Enem e publica a contratação de substitutos para os grevistas do 3°ano do Ensino médio, mais uma vez na ilegalidade, desrespeitando o direito de greve. Segunda derrota do Governo: conseguimos mostrar para a sociedade o real quadro da educação em nosso Estado, onde não há profissionais suficientes nem habilitados para nos substituir. Os candidatos que apareceram denunciaram a verdade sobre a educação em Minas, onde faltam profissionais devido ao “desencanto” dos jovens em ingressar em uma carreira sem valorização profissional e mais, os candidatos que apareceram na sua maioria, profissionais de outras áreas querendo fazer “bico” na educação, como engenheiros, enfermeiros, agrônomos, etc. Denunciamos ainda, que o Governo de Minas não se “preocupa” com a Educação por ter retirado da Grade Curricular em 2008 dois conteúdos no 3° ano do Ensino Médio e um conteúdo no segundo ano, diminuindo assim, as chances dos alunos das Escolas Estaduais em concorrerem com alunos de escolas particulares às vagas das Universidades. O governo não conseguiu substituir todos os grevistas e com isso causou indignação nos demais companheiros que reagiram fazendo adesão ao movimento, a greve que já contava com 40% de adesão, sobe para 50% em poucos dias.
Mais uma vez o Governo tenta desqualificar o Sind-UTE como interlocutor da categoria e lança dia 23/08/2011 para toda mídia a proposta de reajuste no subsídio de 5% prevista para abril de 2012. Anuncia também, reabrir o portal para que as pessoas que estão na Carreira do Vencimento Básico façam a opção novamente para o Subsídio, alegando que a Carreira do Vencimento Básico era carreira extinta. Manobra política com o intuito de por fim ao movimento. Terceira derrota do governo: no dia 24/08/2011 publica-se a sentença de Constitucionalidade da lei 11.738 pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A partir daí começa as declarações do Governo já admitindo que “poderá” pagar Piso por ser uma lei Federal (Piso do MEC de R$1.187,00 por uma jornada de 40 horas) falando em proporcionalidade, mas somente para os 153.000 que retornaram para carreira do Vencimento Básico.
O Sind-UTE em assembléia dia 24/08/2011 aprova continuidade da greve geral por tempo indeterminado e próxima assembléia dia 31/08/2011.Os trabalhadores em Greve em sua 16ª assembléia  dia 31 /08 aprova continuidade da greve geral por tempo indeterminado com assembléia no dia 08/09/2011 . O Governo fez uma proposta ridícula de 712,00 reais de Professores PEB 1 a PEB 4 acabando com os níveis verticais da carreira, ou seja, nivelando todos por baixo, desprezando a Escolaridade de cada um. O mais grave, a proposta apresentada contempla só professores, um absurdo!  A educação não é composta só de professores. Devido a tudo isto A GREVE CONTUNUA...
O Sind-UTE junto com o Comando de Greve continua parando mais Escolas e a Greve se consolida em todo o Estado. Torna-se ponto de honra para os trabalhadores em Educação com adesão de várias cidades e novas Escolas que ainda não estavam no movimento. A Greve chega ao seu momento mais tenso, onde cada adesão de companheiros representa mais um soldado nesta batalha em defesa da Educação Pública Gratuita e de qualidade para todos e todas. Estamos intensificando as mobilizações e colocando a Greve na rua, pois temos que negociar pontos básicos de nossa mobilização, como retificação do Edital do Concurso previsto para o próximo ano, corte de ponto, pagamento imediato do Piso Nacional para todos os trabalhadores em educação sem distinção de opção (Subsídio/Piso) e outros.
A educação tem que resgatar o respeito e dignidade de uma profissão onde jovens se identifiquem com o sonho de poder modificar a sua própria realidade abraçando a docência como profissão. E nós trabalhadores em Educação continuaremos lutando para que os nossos Governantes tratem Educação como investimento e não como despesa, valorizando seus educadores e, sobretudo, respeitando os alunos que são os mais afetados pelo descaso e descompromisso do Governo de Minas Gerais com a Escola Pública.
Contamos com apoio de toda a sociedade neste levante de comoção Nacional pela valorização dos Trabalhadores em Educação. Um país sério se faz com profissionais bem remunerados e com perspectiva de uma carreira promissora.
A negociação se faz urgente, para isso termos que mostrar a nossa determinação e união em torno de um só objetivo que é a conquista do Piso Nacional da Educação para todos os trabalhadores em educação. 
Só a luta garante conquistas!

Elaine Cristina Ribeiro 

Apoio à maior greve da Educação de MG

Gente simples,fazendo coisas pequenas,
em lugares pouco importantes,
 consegue mudanças extraordinárias"
   Provérbio Africano

UM APELO AOS PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE MINAS GERAIS – por Marilda e Abdon

Pela força do hábito, acordei neste 23 de setembro de 2011 às mesmas 6 horas da manhã – horário em que há quase 20 anos me coloco a postos, pronta para iniciar mais um dia de labuta na escola em que eu trabalho. Ainda meio sonolenta, fiquei, em pensamento, revivendo a rotina que, cotidianamente, cumpro apressada para não chegar atrasada e para conseguir assinar o ponto, pegar os diários e o material, esperar o sinal e ir para a sala de aula. A jornada tantas vezes vivida se encontra há mais de 100 dias interrompida, porque estamos em GREVE pelo cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional.
Conforme os minutos iam passando, angustiada logo de manhã por tantas coisas que me vinham à cabeça – ameaças e perseguições, repressão escancarada saltando das páginas dos livros de história e retornando à praça –, comecei a ouvir os alunos conversando, enquanto caminhavam em direção à escola, que fica bem próxima à minha casa. Já eram quase 7 horas. Uma tristeza imensa invadiu a minha alma. Sabia que em questão de minutos ouviria ecoar o sinal que marca o início de mais um dia letivo. A escola seguindo sua rotina, enquanto PARTE de seus LEGÍTIMOS TRABALHADORES batalham pelo DIREITO de TODOS, não a um rico salário, mas pelos menos ao mínimo de DIGNIDADE e RESPEITO à CARREIRA dos PROFESSORES.
Sempre que ouço aquela sirene, marcando o início e término de cada aula, a sensação de desamparo e indignação queima o meu rosto. Penso em todos os trabalhadores que estão com o PONTO CORTADO, pais e mães de família passando falta até de comida ou sobrevivendo da ajuda de parentes e amigos; contas de água e luz atrasadas; companheiros dormindo em barracas, protestando e sofrendo toda sorte de humilhação na ALMG. Uma vida, já tão sacrificada, agora completamente desorganizada. Como no filme Germinal, sinto-me destroçada pelos donos das minas, no caso, “de Minas”, que, por tudo que temos visto nos últimos dias, não é de seu povo, mas de meia dúzia de burocratas, bem alimentados de comida, mordomias e, sobretudo, de poder.
Recentemente aprendi que GREVE, antes de significar luta e resistência dos trabalhadores, na França, à época da revolução industrial, era um lugar às margens do Rio Sena, onde os trabalhadores se reuniam, dentre outras coisas, para contar piadas, conversar, desabafar. Com o tempo, o termo passou a significar mais do que um lugar. Passou a representar tomada de atitude, um chamado para a luta ou, mais profundamente, um chamado para a vida daqueles que acreditam que todos os SERES HUMANOS têm DIREITO a um TRATAMENTO JUSTO.
Mas o que é um SER HUMANO? Li, em algum lugar, que “ser humano também é um dever”. Não se nasce completamente humano. Nascemos com a potencialidade de vir a sermos humanos e para chegarmos a sê-lo completamente, é necessário, no contato com outros humanos, aprendermos a humanização. Certamente há inúmeros atributos que podem ajudar uma pessoa a cumprir o dever moral de SER HUMANO. Mas, inegavelmente, a SOLIDARIEDADE se encontra entre os mais importantes valores para a humanização.
Desconheço como os dicionários definem a solidariedade, mas entendo que se é solidário quando um ser humano se deixa tocar pela condição do outro. Penso, por conseguinte, que o avesso da solidariedade está em seguir adiante, como se nada estivesse acontecendo, por exemplo, quando companheiros de profissão fazem GREVE de FOME, na tentativa última e desesperada de fazer escutar aqueles que não querem sequer ouvir.
Que certas autoridades, equivocadamente chamadas de representantes do povo, não se sensibilizem com MARILDA e ABDON na ALMG, em GREVE de FOME, eu, mesmo indignada, posso até entender. Por tudo que tenho visto, não esperava que fosse diferente. Mas como compreender que PROFESSORES entrem na sala de aula, sigam a rotina escolar, assistam cabisbaixos a pessoas – sem nenhuma formação e muito menos convicção – assumirem as aulas dos profissionais que estão na luta como se fossem cargos vagos? Como compreender essa ausência total de sensibilidade e solidariedade?
Não, não é o conformismo que faz a história, menos ainda o medo e a covardia. Não é a indiferença que nos faz HUMANOS. E a GREVE já é mais que um lugar. É um CHAMADO PARA A VIDA. Qualquer que seja a condição individual de cada educador, nesse momento em que nossa luta chegou, não nos cabe nenhuma atitude HUMANA, que não seja a de nos solidarizarmos com MARILDA E ABDON. As autoridades podem fingir que não estão vendo. Os profissionais da educação NÃO podem. Há um grupo de pessoas em sofrimento e sacrifício pelo direito do coletivo. É chegada a hora de cada um colocar a mão na consciência e gritar NÃO à arrogância e intransigência desse DESGOVERNO. Com a força que somente os excluídos conhecem, que a sociedade mineira ouça nosso GRITO de protesto por uma vida humilhada, uma carreira destruída, uma profissão completamente desvalorizada! MARILDA E ABDON SOMOS TODOS NÓS.

Lucia Elena Pereira Franco Brito,
Professora de História.

23 de set. de 2011

Aline Guerra - Professora do Renê Giannetti

Greve de fome X tropa de choque





106 dias de greve dos professores de Minas Gerais
Greve de fome X tropa de choque.
Frei Gilvander Moreira[1][1]

Dia 21/09/2011, um dia após cerca de 9 mil professoras/res da Rede Estadual de Educação do estado de Minas Gerais, na 14ª Assembleia Geral, aprovarem com grande entusiasmo a continuidade da greve até a vitória, greve que já dura 106 dias, professores fazem greve de fome, enquanto o governador Anastasia manda a tropa de choque para tentar intimidar.
Em Vigília desde ontem na Assembleia Legislativa de Minas – ALMG -, centenas de professoras/res acompanham a greve de fome da professora Marilda e do técnico em educação Abdon, hoje, já no 3º dia. Logo ao raiar do dia a tensão começou, pois os professores fecharam todas as entradas que dava acesso ao prédio da ALMG, inclusive a entrada do estacionamento privativo para deputados. A tropa de choque chegou cuspindo fogo. Ameaçou agredir os grevistas que acabaram abrindo as entradas da ALMG. Mas dezenas de policiais montados em grandes cavalos – cavalaria -, policiais com cães, dezenas de viaturas com dezenas de policiais da tropa de choque e de outros batalhões estiveram o dia inteiro de olho nos professores. Quem passava perguntava: “Os professores são tão perigosos assim? Precisam ser vigiados pela tropa de choque?” Uma professora advertiu: “Só da nossa escola – Escola Maria Amélia Guimarães -, em 2010, nove estudantes foram assassinados. Quando na escola precisamos de polícia, ligamos para o 190, mas dificilmente aparece algum policial para nos proteger.” Um tenente que pediu para não ser identificado lamentou: “Nas escolas quando somos chamados, na maioria das vezes não nos mandam ir, mas aqui, onde os professores estão lutando pelos seus direitos – causa justa – somos mandados para insuflar o terror.”
À truculência e intransigência do Governador Antonio Anastasia (PSDB + DEM), os professores estão respondendo com luta aguerrida e, inclusive, com greve de fome, arma espiritual que derruba até dragão.
Há três dias Marilda e Abdon estão em greve de fomeMarilda de Abreu Araújo, 59 anos, de Divinópolis, MG, é professora há 32 anos. Ela se preparou uma semana para fazer greve de fome. Ela disse: “Iniciei a greve de fome, porque estamos em greve há 106 dias e, infelizmente, o governador Antonio Anastasia continua intransigente. Paramos de comer para que o Anastasia se abra ao diálogo. Aos professores que ainda não entraram em greve digo: a luta não pode ser isolada. Venham para a luta para sairmos vitoriosos. Aos pais pedimos compreensão. Temos responsabilidade com a educação pública. Faremos o melhor para que os estudantes não saiam prejudicados. Há pais que vieram nos visitar e queriam ficar aqui conosco em greve de fome, mas os exortamos a ajudar de outras formas. Participei de todas as greves em 32 anos como professora. O que mais me marca nessa greve é a intransigência do governador Anastasia.”
Abdon Geraldo Guimarães, 39 anos, também em greve de fome há três dias. Ele é técnico em educação há 9 anos. Pai de três filhas, duas das quais gêmeas de três meses. Ele diz: “Precisamos abrir negociação. Estamos com nossos salários cortados há 2 meses e já se vai para o 3º mês sem salário. As dificuldades para quem está na greve são enormes. Ao Anastasia peço respeito aos educadores. Atenda as nossas justas reivindicações. Aos professores que ainda não estão em greve digo: “Conscientizem-se da necessidade de reivindicar o piso salarial nacional, Lei Federal 11.738/08, hoje, R$1.187,00, mas em janeiro de 2012 passará para R$1.384,00. É hora de sermos solidários.” Aos estudantes e pais digo: “Estamos lutando não apenas por melhores salários, mas por educação pública de qualidade sob todos os aspectos. O mais marcante nessa greve é a garra de milhares de colegas educadoras/res que não arredarão o pé da luta até a conquista do piso salarial nacional.”
O professor Luciano Mendes de Faria Filho, em Carta aberta ao desembargador Roney Oliveira, disse: “Bastaria ver a Praça da Liberdade na sexta-feira (dia 16/09/2011, na noite da inauguração do Relógio da COPA: 1.000 dias para o início da COPA.). O "gás de pimenta" pode "ser fogo", como disse, em mensagem eletrônica uma professora que lá estava: "Para quem nunca inalou gás de pimenta, a sensação é a seguinte: um fogo na cara, um ódio no coração e muita tosse". Mesmo sem a cobertura da fumaça, foi lá que o Estado de Minas, por meio de seus agentes legalmente constituídos, nos deu uma péssima lição de cidadania. Penso, Senhor Desembargador, que o episódio da Praça da Liberdade, este sim, merecia uma rápida investigação e a punição exemplar daqueles que, atualizando o que há de pior em nossa história, violentaram não apenas os professores, mas todos nós, cidadãos deste país.”
Uma notícia animou a todos hoje. A Governo Federal, em 2012, repassará ao governo de Minas 1,115 bilhões de reais do FUNDEB[2][2]. Será que o governo Anastasia vai continuar dizendo que não tem dinheiro? O Governo Anastasia concedeu 102% de reajuste para a polícia militar. Um coronel ganhará E$38.000,00.
No final da tarde, foi feita uma reunião com dezenas de representantes de sindicatos, movimentos sociais do campo e da cidade e apoiadores. Várias ações concretas de reforço da greve estão sendo planejadas.
Enfim, quem luta educa. O governo Anastasia está dando uma lição de ignorância, de intransigência, com propagandas enganosas, ameaças e pedagogia do medo. Por outro lado, os professores, inclusive com greve de fome, estão dando uma aula magna para toda a sociedade. Feliz quem tiver ouvidos para ouvir!

Belo Horizonte, MG, Brasil, 21 de setembro de 2011

Deputado sai em defesa de professora proibida de se manifestar na Casa do Povo - Parte 2

Professores em Greve e ironia na ALMG com Serventes de Pedreiro

Fora Anastasia - Grito dos trabalhadores em educação na assembleia 20/09/2011

13 de set. de 2011

Mensagem de Dom Tomás Balduíno em apoio aos professores em greve.


Mensagem de Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás, em apoio aos professores em greve.
 
Queridos Professores e Professoras,
 
Orgulho-me pela greve de vocês. Vejo neste acontecimento um dos esperançosos sinais dos tempos, semelhante ao que está acontecendo no Chile.
Vocês, com seu sofrimento e angústia, estão sendo os instrumentos de Deus na construção do Brasil que queremos, a Pátria dos nossos sonhos. Por isso uno-me solidário com vocês e com todos e todas que lhes dão apoio. 
Com Cora Coralina, digo: “Propõe-se a ensinar aquele que é bom de espírito, aquele que se orgulha quando o aluno o supera. Aquele que, cotidianamente, motiva o aluno, sem esquecer-se de que um dia o foi... É aquele que, “Feliz, transfere o que sabe e aprende o que ensina.
 Vejo isso nos professores que estão em greve em Minas e em muitos outros estados. 
Essa greve, a mais longa da história de Minas, será um marco histórico na luta pela educação pública e de qualidade, em Minas. Que cada professor/a desenvolva pedagogias que ajudem na compreensão da vida concreta, isto é, a matemática da fome, o português da violência, a geografia e a história da exploração e dos problemas sociais, a ciência da história da vida real das pessoas. 
A greve das/os professoras/res de Minas Gerais está sendo uma verdadeira escola libertadora.
Quem disse que as/os professoras/es não estão ensinando? As/os educadoras/res estão nas ruas, ensinando uma verdadeira lição de cidadania, de quem não se deixa oprimir, de quem busca na luta, dignidade e justiça social pelo valor à educação, um dos maiores patrimônios que o Estado tem a obrigação de cuidar. 
Atenção, Anastasia, a greve só será interrompida quando a justa, legal e legítima reivindicação da categoria for atendida: o Piso Salarial Nacional, um valor pífio e insignificante. 
Enfim, benditas/os as/os educadoras/os e todos os que apoiam a luta pela educação pública e de qualidade e, assim, lutam pela transformação da sociedade.
Deus os abençoe e os livre de todo mal.
 
                     Dom Tomás Balduino, s

Greve da Educação em Minas faz 98 dias- Uberlândia


Educação

Greve: Professores da rede estadual de ensino fazem protesto em Uberlândia

Publicado em 13/09/2011 às 18:40
de Uberlândia

Eles se reuniram em frente ao prédio da SRE

A greve dos professores da rede estadual de ensino completa nesta terça-feira (13) 98 dias. Em Uberlândia, profissionais fizeram uma manifestação. Eles se reuniram em frente à Superintendência Regional de Ensino (SRE) com faixas e bandeiras protestaram pelo cumprimento do piso nacional de R$1.597 por 24 horas semanais. 

A proposta do governo é de R$1.187 para 40 horas semanais. Segundo a coordenadora do sindicado, Elaine Cristina, eles também querem propostas para os outros profissionais como secretárias e porteiros. 

A próxima assembleia está marcada para esta quinta-feira (15), em Belo Horizonte, às 14h

22 de ago. de 2011

Alunos da rede estadual podem ficar sem férias



20/08/2011 7:48

Alunos da rede estadual podem ficar sem férias

 
Escola Estadual Juvenília de Freitas recebeu os cinco professores designados nesta semana
Parte dos 4 mil alunos da rede estadual de ensino afetados pela greve dos professores pode ficar sem as férias de dezembro e janeiro. O motivo é o prolongamento da paralisação, que já dura 75 dias, dos quais 42 letivos, que pode impossibilitar a reposição total das aulas perdidas no ano. Dos 11 profissionais substitutos convocados nesta semana pela Superintendência Regional de Ensino (SRE) para ministrar aulas em salas do 3º ano do ensino médio em Uberlândia, apenas cinco foram designados. De acordo com estimativa da SRE, ainda faltam contratar 60 educadores no município.
A designação de professores foi determinada na semana passada pela Secretaria Estadual de Ensino (SEE). Os profissionais darão aulas apenas para alunos do 3º ano do ensino médio em razão da proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontecerá nos dias 22 e 23 de outubro. Em todo o Estado, mais de 2,5 mil professores devem ser designados.
Para o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), a contratação de professores substitutos fortaleceu a greve. “Escolas que não estavam no movimento acabaram por aderir. Quando você substitui profissionais em greve, quem estava trabalhando fica indignado, se sente traído”, disse Elaine Cristina Ribeiro, presidente do sindicato em Uberlândia. Segundo ela, o número de escolas afetadas na cidade subiu de 18 para 20 nesta semana, com 700 professores parados.
Joyce Magnini, superintendente regional de ensino, afirma que a quantidade de escolas atingidas pela greve “se manteve em nove”, sendo uma total e as demais parcialmente. O número é inferior às 14 instituições paralisadas divulgadas anteriormente pela SRE. “Contamos 177 professores em greve”, afirmou.

Sind-UTE diz que vai processar substitutos

A designação de professores substitutos em escolas da rede estadual de ensino foi marcada por tumultos. Representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) foram anteontem na Escola Professora Juvenília de Freitas, bairro Luizote de Freitas, zona oeste de Uberlândia, para pegar o nome dos cinco professores substitutos que foram contratados. A intenção é processá-los.
“Substituir profissionais em greve é ilegal. Estamos pegando o nome dos designados para entrar no Ministério Público Federal contra essas pessoas e contra o governo”, afirmou a presidente do Sind-UTE local, Elaine Cristina.
Por meio da assessoria, a Secretaria Estadual de Ensino (SEE) afirmou que lamenta os episódios registrados, que tiveram como objetivo ferir o direito do profissional de exercer sua atividade e do acesso à educação. A SEE afirmou também que a contratação de substitutos é uma resolução legal com respaldo do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).

Alunos terão que recuperar o tempo perdido

Esta semana foi de retorno às aulas para Thamyres Sousa Francisco, estudante do 3º ano do ensino médio da Escola Professora Juvenília de Freitas, bairro Luizote de Freitas. Sem aulas desde junho, a aluna afirmou que vai ter que se adaptar para recuperar o tempo perdido, mesmo que tiver que perder as férias de janeiro. “Acho ruim, pois a gente fica prejudicada. Mas, se o objetivo é passar na UFU [Universidade Federal de Uberlândia], a gente tem que superar”, afirmou.
Segundo afirmou, muitos alunos poderão perder as aulas de reposição. “Tem aluno que faz cursinho à tarde ou trabalha. Não dá para vir. Eu mesmo trabalho à tarde e faço curso aos sábados”, disse.
UFU

Servidores técnico-administrativos estão paralisados

A paralisação dos servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Uberlândia continua. Por causa da greve, que envolve 60% dos 3,3 mil funcionários concursados dos campi, as bibliotecas estão fechadas. “Além de buscarmos melhorias financeiras para a categoria, o movimento tem um eixo político, que se posiciona contra a privatização dos hospitais federais”, afirmou Mário Guimarães Júnior, membro do comando local do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições Federais de Ensino Superior (Sintet). A greve engloba outras 49 universidades federais.

Docentes

Os professores da UFU vão paralisar as atividades na terça e quarta-feira, com indicativo de greve para quinta-feira (25). A decisão foi tomada em assembleia realizada ontem.
Eles rejeitaram a proposta apresentada pelo governo e defendem a incorporação de gratificações e correção salarial retroativa a janeiro, com reajuste emergencial de 14% em agosto. Uma nova assembleia está marcada para quarta-feira (24).